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  • Conferências falsas expõem vulnerabilidades no ecossistema da publicação científica

    A proliferação de conferências acadêmicas falsas tem se tornado uma preocupação crescente na comunidade científica chinesa. Criminosos estão criando eventos inexistentes, prometendo publicação de artigos em bases reconhecidas e certificação de participação para atrair pesquisadores pressionados por exigências de produtividade acadêmica. Em muitos casos, após o pagamento das taxas de inscrição e submissão, os autores descobrem que a conferência nunca ocorreu e que os trabalhos foram publicados em periódicos sem reconhecimento ou sequer indexados nas bases prometidas.

    O problema foi destacado pelo South China Morning Post, que relata casos de pesquisadores prejudicados por esse tipo de fraude. Uma docente da cidade de Wuhan afirmou ter pago cerca de 4.600 yuans para participar de um evento que prometia indexação na base Compendex, da Elsevier. Meses depois, descobriu que a conferência era totalmente fictícia, incluindo sua comissão organizadora, e que seu artigo havia sido publicado em um periódico sem relevância acadêmica.

    Especialistas alertam que o crescimento desse mercado paralelo é impulsionado pela forte pressão para publicação e progressão na carreira, tornando pesquisadores menos experientes especialmente vulneráveis. O caso reforça a importância de verificar cuidadosamente a legitimidade de conferências, organizadores e bases de indexação antes de submeter trabalhos ou efetuar pagamentos, além de incentivar instituições a promoverem maior conscientização sobre esse tipo de golpe.


    Fonte: South China Morning Post
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  • Além do Fator de Impacto: o que as mudanças no JCR 2025 revelam

    O Journal Citation Reports (JCR) 2025 trouxe mudanças que, embora sutis, indicam uma evolução na forma como a qualidade dos periódicos científicos vem sendo avaliada. Em análise publicada por Richard Jonathan Gray, as novidades demonstram um movimento gradual de valorização da integridade científica e da transparência editorial, indicando que a avaliação da qualidade das revistas tende a ir além dos tradicionais indicadores bibliométricos.

    O autor observa que o Fator de Impacto continua sendo uma das métricas mais influentes da comunicação científica, amplamente utilizado por pesquisadores, instituições e agências de fomento. No entanto, as alterações introduzidas na edição de 2025 do JCR sugerem um esforço para contextualizar melhor esse indicador e destacar aspectos relacionados à confiabilidade das publicações. A iniciativa acompanha um cenário em que temas como manipulação de citações, fábricas de artigos, retratações e boas práticas editoriais passaram a ocupar posição central nas discussões sobre avaliação da produção científica.

    Outro ponto destacado é que essas mudanças não alteram, por si só, a forma como os periódicos são classificados, mas enviam um sinal claro à comunidade acadêmica. A tendência é que métricas quantitativas sejam interpretadas em conjunto com informações que permitam avaliar a qualidade dos processos editoriais e o compromisso das revistas com a integridade da pesquisa. Esse movimento está alinhado às iniciativas internacionais que buscam tornar a comunicação científica mais transparente, responsável e confiável.

    Para editores de periódicos científicos, as mudanças representam um incentivo para fortalecer políticas editoriais, aperfeiçoar os processos de revisão por pares e adotar práticas que aumentem a credibilidade das publicações. Já para pesquisadores, o JCR 2025 reforça a importância de analisar os indicadores de impacto de forma crítica, considerando também o contexto editorial e os mecanismos adotados pelas revistas para garantir a qualidade e a confiabilidade dos artigos publicados. Ainda que discretas, as alterações apontam para uma transformação gradual na forma como a excelência científica poderá ser reconhecida nos próximos anos.


    Fonte: R. Jonathan Gray via substack
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  • Relatório internacional propõe reformulação do sistema de revisão por pares na ciência

    Um novo relatório do Research on Research Institute (RoRI) defende que a revisão por pares precisa passar por uma transformação estrutural para continuar cumprindo seu papel na garantia da qualidade da pesquisa científica. Intitulado The Future of Peer Review: A System-wide Perspective, o documento reúne uma ampla revisão da literatura e entrevistas com 39 representantes do ecossistema científico, incluindo financiadores, editores e formuladores de políticas.

    Segundo os autores, o modelo atual enfrenta uma combinação de fatores que ameaça sua sustentabilidade, como o crescimento contínuo das submissões, a sobrecarga de revisores, a elevada competição por recursos e o avanço da inteligência artificial, que acelera a produção de artigos e propostas de pesquisa. Em vez de defender apenas melhorias pontuais, o relatório propõe uma abordagem sistêmica para a avaliação científica.

    Entre as recomendações estão a adoção de modelos de garantia da qualidade baseados em diferentes camadas, combinando verificações de integridade, mecanismos contínuos de avaliação pela comunidade científica e sínteses de evidências. O documento também sugere que agências de fomento priorizem estratégias de financiamento de longo prazo e que instituições de pesquisa utilizem critérios de avaliação mais alinhados aos seus objetivos estratégicos, reduzindo a dependência de indicadores tradicionais, como número de publicações e captação de recursos.

    Para os autores, a inteligência artificial não representa apenas uma nova ferramenta para o processo editorial, mas um fator que evidencia limitações estruturais do atual sistema de revisão por pares, tornando inevitável uma discussão mais ampla sobre o futuro da comunicação científica.

     


    Fonte: RoRI
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  • Modelos de revisão remunerada colocam revistas científicas diante de novas decisões

    A crescente dificuldade para recrutar revisores e reduzir o tempo de avaliação dos manuscritos tem levado algumas editoras e periódicos científicos a testar modelos de revisão por pares remunerada. A proposta busca enfrentar um dos principais gargalos da gestão editorial: encontrar especialistas qualificados dispostos a emitir pareceres dentro dos prazos estabelecidos.

    A reportagem do Universidades News reúne exemplos de iniciativas já em funcionamento. A revista Biology Open, por exemplo, remunera revisores que entregam avaliações dentro do prazo e atendem aos critérios de qualidade definidos pela equipe editorial. Outras plataformas, como a ResearchHub, oferecem recompensas financeiras em criptomoedas, enquanto empresas especializadas desenvolvem programas de incentivos para ampliar o engajamento dos pareceristas.

    Para as revistas científicas, a adoção desse modelo representa um equilíbrio entre benefícios e desafios. A remuneração pode reduzir atrasos, aumentar a disponibilidade de revisores e tornar o fluxo editorial mais previsível. Por outro lado, cria a necessidade de definir fontes de financiamento, estabelecer critérios transparentes de pagamento e garantir que a compensação financeira não comprometa a independência e a qualidade da avaliação por pares.

    Embora a prática ainda seja pouco difundida no Brasil, o tema começa a ganhar espaço nas discussões sobre sustentabilidade editorial. À medida que cresce o volume de submissões e aumenta a pressão por decisões mais rápidas, modelos de incentivo aos revisores tendem a fazer parte do debate sobre o futuro da publicação científica.


    Fonte: UniversidadesNews
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  • Mais da metade dos pesquisadores que pagaram APCs usou recursos próprios, aponta estudo

    A comunidade científica brasileira demonstra forte adesão aos princípios do acesso aberto, mas permanece dividida quanto ao pagamento de taxas de processamento de artigos, conhecidas como APCs. Essa é uma das principais conclusões do estudo “Percepções e Práticas sobre o Acesso Aberto e o Pagamento de Taxas de Processamento de Artigos no Brasil”, desenvolvido com participação de pesquisadores do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict).

    A pesquisa analisou respostas de 6.288 bolsistas de Produtividade em Pesquisa do CNPq, obtidas a partir de um universo de 15.426 pesquisadores convidados, alcançando uma taxa de participação de 40,71%. O trabalho integra um projeto internacional coordenado pelo Global Research Institute of Paris, que reúne pesquisadores de cinco países da América Latina e da África.

    Os resultados mostram que, embora haja consenso sobre a importância do acesso aberto para ampliar a circulação do conhecimento científico, as opiniões sobre a cobrança de APCs são equilibradas entre favoráveis e contrárias. O estudo identificou diferenças entre áreas do conhecimento e estágios da carreira acadêmica. Pesquisadores das Ciências Agrárias e da Saúde, além daqueles com bolsas PQ de níveis mais elevados, demonstraram maior preferência por periódicos de acesso restrito. Já nas Humanidades e Ciências Sociais, predominou a preferência pelo modelo de acesso aberto diamante, que não cobra taxas de autores nem de leitores.

    Outro dado relevante indica desafios relacionados à sustentabilidade do sistema de comunicação científica. Entre os pesquisadores que já arcaram com APCs, mais da metade afirmou ter utilizado recursos próprios ou parte de seus salários para custear as publicações. Segundo os autores, os resultados podem subsidiar políticas públicas e institucionais voltadas à promoção de uma ciência mais aberta, democrática e equitativa. O artigo foi publicado na revista Dados e está disponível para leitura na íntegra na plataforma SciELO.


    Fonte: ibict
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  • Estudo revela mercado global de fraude acadêmica operado por empresas de venda de artigos científicos

    Uma investigação internacional identificou a dimensão de um mercado organizado dedicado à comercialização de artigos científicos e à oferta de autoria em trabalhos acadêmicos. O estudo, divulgado em maio de 2026 e disponível no repositório ArXiv, analisou mais de 18 mil anúncios publicados entre 2020 e 2026 em aplicativos e sites mantidos por sete empresas que atuam em países como Índia, Iraque, Uzbequistão, Rússia, Letônia, Cazaquistão e Ucrânia.

    A pesquisa foi conduzida pelo biólogo computacional Reese Richardson, pesquisador de pós-doutorado da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, em colaboração com Spencer Hong, da mesma instituição, e Ana Abalkina, da Universidade Livre de Berlim, especialista em investigação de fraudes científicas.

    Os pesquisadores observaram que essas empresas anunciam serviços que incluem a produção de manuscritos sob encomenda, a inclusão de autores em artigos já aceitos para publicação e a intermediação de trabalhos em diferentes áreas do conhecimento. Segundo os autores, a prática evidencia a existência de uma cadeia estruturada de fraude acadêmica, capaz de movimentar recursos financeiros e comprometer a confiabilidade da literatura científica.

    O levantamento é considerado o maior já realizado sobre esse tipo de atividade e reforça preocupações de editores, instituições de pesquisa e agências de fomento com o crescimento das chamadas “fábricas de papers”. O fenômeno representa um desafio para a integridade científica, exigindo o aperfeiçoamento de mecanismos de detecção e prevenção de irregularidades no processo de publicação acadêmica.


    Fonte: Revista Pesquisa FAPESP
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  • PUB IN promove webinar sobre critérios de inclusão de revistas no DOAJ

    O projeto PUB IN realizará, em 22 de junho de 2026, às 10 horas, o webinar “DOAJ: Visão geral, critérios de inclusão e processo editorial”, com o objetivo de apresentar o funcionamento do Directory of Open Access Journals (DOAJ) e orientar equipas editoriais interessadas em indexar os seus periódicos na base de dados.

    O evento será realizado em formato online e abordará o papel do DOAJ como uma das principais referências internacionais para revistas científicas de acesso aberto, destacando os requisitos necessários para inclusão, o processo de candidatura e as etapas de avaliação conduzidas pela organização. Também serão discutidas orientações práticas destinadas a apoiar editores e equipes responsáveis pela gestão editorial de periódicos científicos.

    A iniciativa integra as atividades do PUB IN, projeto desenvolvido pela Universidade do Minho em colaboração com a Fundação para a Ciência e a Tecnologia, por meio da FCCN, com foco na promoção de boas práticas de publicação científica e Ciência Aberta entre revistas portuguesas.

    O webinar será gratuito e direcionado a editores, gestores editoriais e demais profissionais envolvidos na publicação científica que desejam compreender melhor os critérios de qualidade exigidos pelo DOAJ e aumentar a visibilidade internacional das suas revistas por meio da indexação em diretórios reconhecidos.

    Inscrições aqui: Webinar PUBIN - DOAJ: Visão geral, critérios de inclusão e processo editorial


    Fonte: PUB IN
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  • Artigo defende novos padrões de crédito e rastreabilidade para aplicações de IA acadêmica

    A rápida incorporação da inteligência artificial às atividades de pesquisa tem ampliado o debate sobre como garantir crédito adequado às fontes de informação utilizadas por essas ferramentas. Em artigo publicado em 17 de junho de 2026 no blog The Scholarly Kitchen, Todd A. Carpenter argumenta que conceitos frequentemente tratados como equivalentes, como atribuição, procedência, referência e citação, possuem funções distintas e precisam ser melhor compreendidos no contexto das aplicações de IA voltadas à pesquisa científica.

    Segundo o autor, a atribuição está relacionada ao reconhecimento de contribuições intelectuais, enquanto a procedência descreve a origem e o histórico de transformação de dados e conteúdos. Já as referências e citações cumprem o papel de direcionar leitores para fontes específicas e sustentar afirmações apresentadas em textos acadêmicos.

    Carpenter destaca que muitos sistemas de inteligência artificial generativa ainda não conseguem oferecer mecanismos confiáveis para indicar de onde suas respostas foram obtidas, o que pode comprometer a transparência, a confiança e o devido reconhecimento aos autores originais. Para ele, incorporar informações robustas de procedência e citação às plataformas de IA é um requisito fundamental para ampliar sua adoção em ambientes acadêmicos e científicos.

    O artigo também reforça que pesquisadores, editores e desenvolvedores devem exigir padrões mais elevados de rastreabilidade das informações produzidas por modelos de linguagem, contribuindo para preservar a integridade da comunicação científica em um cenário cada vez mais influenciado pela inteligência artificial.


    Fonte: The Scholarly Kitchen
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  • Avaliações duplicadas no REF levantam debate sobre eficiência da revisão acadêmica

    A crescente sobrecarga sobre revisores acadêmicos tem levado pesquisadores a questionar a eficiência dos atuais processos de avaliação da pesquisa. Em artigo publicado no portal Wonkhe, Stuart King, gestor de Qualidade e Cultura de Pesquisa da Universidade de Loughborough, argumenta que a comunidade científica não precisa produzir mais pareceres, mas sim encontrar formas de reaproveitar aqueles que já existem.

    O debate ocorre no contexto do Research Excellence Framework (REF), sistema utilizado no Reino Unido para avaliar periodicamente a qualidade, o impacto e o ambiente de pesquisa das universidades. Os resultados do REF influenciam diretamente a distribuição de recursos públicos para pesquisa e ajudam a medir a contribuição científica e social das instituições. Diferentemente do Brasil, onde a avaliação da pós-graduação é conduzida principalmente pela Capes com foco nos programas de pós-graduação, produção científica e formação de recursos humanos, o REF concentra-se na avaliação institucional da pesquisa e atribui grande peso ao impacto gerado além do ambiente acadêmico.

    Segundo King, é comum que pesquisadores recebam solicitações repetidas para avaliar os mesmos trabalhos em diferentes universidades durante os preparativos para o REF. Em um dos casos citados, um acadêmico relatou ter recusado pedidos de revisão de 19 instituições distintas, todas interessadas em obter pareceres para seus processos internos de avaliação.

    Para o autor, essa duplicação representa um desperdício significativo de tempo, recursos e esforço intelectual. Além das avaliações realizadas para o REF, muitos desses trabalhos já passaram pelo tradicional processo de revisão por pares antes de serem publicados em periódicos ou livros acadêmicos.

    Como alternativa, King propõe ampliar o reaproveitamento dos pareceres já produzidos. Em vez de permanecerem restritos a uma única instituição, esses documentos poderiam ser compartilhados entre coautores e organizações parceiras, reduzindo a necessidade de novas rodadas de avaliação para os mesmos resultados de pesquisa.

    A proposta se conecta aos princípios da ciência aberta e às discussões internacionais sobre a modernização da avaliação científica. Embora reconheça que os pareceres editoriais e as avaliações do REF possuem finalidades distintas, o pesquisador defende que a reutilização responsável dessas análises pode tornar o sistema mais eficiente e sustentável, reduzindo a crescente carga de trabalho imposta à comunidade acadêmica.


    Fonte: Wonkhe
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