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A Agência de Bibliotecas e Coleções Digitais da USP publicou um conteúdo sobre a gestão de dados científicos abertos, destacando a experiência da University of California (UC) e os impactos do movimento de Dados Abertos para a pesquisa acadêmica. A iniciativa reforça a importância do compartilhamento, reutilização e transparência dos dados produzidos em pesquisas científicas, alinhando-se às práticas de Ciência Aberta adotadas internacionalmente.
O texto explica que financiadores, editoras científicas e instituições de pesquisa têm ampliado as exigências relacionadas à disponibilização pública de dados, incluindo organizações como NIH, NSF, PLOS, Elsevier e Springer Nature. Segundo a publicação, políticas recentes dos Estados Unidos também passaram a exigir acesso aberto para pesquisas financiadas com recursos públicos.
Entre os principais benefícios apontados estão maior visibilidade para pesquisadores, aumento da integridade científica, redução da duplicação de esforços e estímulo à colaboração entre instituições. O conteúdo também apresenta orientações práticas sobre planejamento e gerenciamento de dados, incluindo uso de planos de gestão, documentação adequada, definição de licenças abertas e escolha de repositórios confiáveis para armazenamento e compartilhamento dos conjuntos de dados.
A publicação foi divulgada pela ABCD-USP como uma tradução livre e adaptada de material produzido pelo Office of Scholarly Communication da University of California, reforçando o debate sobre ciência aberta e boas práticas de gestão de dados no ambiente acadêmico brasileiro.
Fonte: ABCD-USP
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A ORCID publicou um novo conteúdo destacando o potencial da plataforma Lens para ampliar a descoberta, a análise e o impacto da produção científica e tecnológica. A iniciativa reforça como a integração entre o identificador ORCID e a ferramenta Lens pode ajudar pesquisadores, instituições e editores a conectar publicações, patentes e diferentes indicadores acadêmicos em um único ambiente digital.
A proposta faz parte de um movimento crescente de integração entre sistemas acadêmicos e ferramentas de análise científica, voltado à melhoria da rastreabilidade da produção científica e ao fortalecimento da ciência aberta. Segundo a ORCID, conectar perfis de pesquisadores a plataformas interoperáveis facilita a descoberta de trabalhos relacionados, melhora a qualidade dos registros acadêmicos e amplia o alcance das pesquisas publicadas.
Ainda pouco conhecida fora de alguns círculos acadêmicos e de inovação, a Lens vem ganhando espaço como uma plataforma estratégica para descoberta científica e análise de impacto da pesquisa. O serviço reúne em um único ambiente dados de artigos científicos, patentes, financiamentos, citações e informações institucionais, permitindo explorar conexões entre produção acadêmica e inovação tecnológica.
Na prática, a plataforma funciona como um grande mecanismo de busca e análise de conhecimento científico. Um dos diferenciais da Lens é a capacidade de relacionar publicações acadêmicas com pedidos de patente e aplicações industriais, oferecendo uma visão mais ampla sobre como a pesquisa circula e gera impacto fora do ambiente universitário. Isso permite identificar tendências emergentes, áreas de colaboração e até possíveis aplicações comerciais de estudos científicos.
A integração com o ORCID amplia ainda mais esse potencial ao conectar automaticamente pesquisadores às suas produções acadêmicas e tecnológicas. Pesquisadores podem visualizar lacunas em seus registros, acompanhar métricas e melhorar a descoberta de suas publicações. Para periódicos científicos, instituições e agências de pesquisa, esse tipo de interoperabilidade fortalece a qualidade dos metadados, melhora processos de rastreamento da produção científica e amplia possibilidades de análise bibliométrica.
Para os periódicos científicos, a adoção do ORCID nas publicações representa um avanço importante na padronização e na confiabilidade dos metadados acadêmicos. A identificação persistente dos autores reduz ambiguidades de nomes, facilita a interoperabilidade entre plataformas editoriais, indexadores e bases de dados, além de melhorar a rastreabilidade da produção científica. Na prática, isso contribui para processos editoriais mais eficientes, amplia a visibilidade dos artigos publicados e fortalece métricas de impacto e integridade científica.
Esse cenário acompanha uma transformação mais ampla na infraestrutura da comunicação científica, baseada no uso de identificadores persistentes. Recursos como DOI, ORCID, ISSN, ISBN e ROR têm papel estratégico na organização, autenticação e interoperabilidade dos dados acadêmicos. Enquanto o DOI identifica objetos digitais, o ORCID diferencia autores de forma única e permanente, e o ROR padroniza a identificação de instituições de pesquisa. Em conjunto, esses identificadores fortalecem a integração entre plataformas editoriais, indexadores e sistemas de avaliação científica.
A importância desse ecossistema foi discutida recentemente pelo Periódico Eletrônico em uma matéria especial sobre os principais identificadores utilizados na publicação científica. A combinação entre identificadores persistentes e plataformas de descoberta, como a Lens, evidencia uma tendência crescente de integração entre dados acadêmicos, métricas de impacto e inovação tecnológica.
A plataforma Lens pode ser acessada gratuitamente em Lens. Já o conteúdo publicado pela ORCID está disponível na página oficial da organização, que mantém orientações sobre integração de perfis e uso das ferramentas conectadas ao ecossistema ORCID.
Fonte: ORCID
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A revista Nature retratou um estudo que apontava benefícios do uso do ChatGPT no ambiente educacional, quase um ano depois de sua publicação. O artigo, assinado por Jin Wang e Wenxiang Fan, da Universidade Normal de Hangzhou, na China, havia sido publicado em maio de 2025 na revista Humanities and Social Sciences Communications, do grupo Nature, e recebeu o selo de retratado em 22 de abril de 2026. A decisão foi explicada posteriormente pelo editor da publicação, que citou preocupações com “discrepâncias na metanálise”.
O estudo analisava 51 pesquisas realizadas entre 2022 e 2025 sobre o uso do ChatGPT na educação. A conclusão original indicava que a ferramenta teria impacto positivo significativo no desempenho acadêmico dos estudantes, além de influência moderada na percepção da aprendizagem e no pensamento de ordem superior, especialmente em áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática. A pesquisa também afirmava que o chatbot poderia aumentar motivação, engajamento e aprofundamento dos alunos no conteúdo.
A retratação não detalhou um erro específico, mas indicou que as inconsistências identificadas comprometiam a confiança do editor na validade da análise e das conclusões. Segundo a Nature, uma retratação sinaliza que um artigo deixou de ser considerado confiável pela revista, seja por problemas na condução, na análise, no relato dos resultados ou por questões éticas. Apesar disso, o PDF do estudo permanece público, como é prática da editora em casos de retratação.
Antes mesmo da decisão editorial, pesquisadores já haviam levantado críticas ao trabalho. Entre os questionamentos estavam o uso de estudos com amostras pequenas, a possível combinação de pesquisas com metodologias, populações e níveis de qualidade muito diferentes, além da falta de clareza sobre critérios de seleção. O caso chama atenção para a necessidade de cautela na interpretação de metanálises sobre inteligência artificial na educação, especialmente em um campo ainda recente, com evidências em rápida expansão e grande impacto sobre políticas educacionais, práticas pedagógicas e decisões institucionais.
Fonte: UOL
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Elaborado pela Rede Brasileira de Reprodutibilidade, o guia orienta pesquisadores a reter direitos autorais sobre seus manuscritos científicos, especialmente diante das exigências de acesso aberto e ciência aberta. Intitulado “Retenção de direitos”, o documento foi publicado em 29 de agosto de 2025 e integra uma série de guias práticos da Brazilian Reproducibility Network. A publicação traduz e adapta ao contexto nacional um material originalmente elaborado pela Rede de Reprodutibilidade do Reino Unido, com foco em tornar mais acessíveis as orientações sobre autoria, licenciamento e compartilhamento de artigos científicos.
O guia explica que, no Brasil, os direitos autorais são garantidos automaticamente a partir da criação de uma obra original, conforme a Lei nº 9.610/1998. A partir dessa base, o documento diferencia a cessão de direitos da concessão de licenças, destacando que licenças Creative Commons permitem autorizar determinados usos sem que o autor perca a titularidade da obra. O texto também apresenta as principais modalidades de licenças CC e mostra como elas podem favorecer a circulação, a reutilização e a visibilidade da produção científica.
O ponto central da publicação é a Estratégia de Retenção de Direitos, desenvolvida internacionalmente pela cOAlition S para permitir que pesquisadores mantenham o controle sobre a versão aceita de seus artigos. Na prática, o guia recomenda que o autor inclua, antes da submissão, uma declaração no manuscrito informando que essa versão aceita poderá ser disponibilizada sob licença Creative Commons Attribution, ou CC BY. Assim, se o artigo for aprovado após a revisão por pares, o pesquisador poderá depositar o manuscrito aceito em um repositório aberto, sem período de embargo, mantendo a possibilidade de compartilhar e reutilizar o próprio trabalho.
A publicação também alerta para possíveis reações de editoras, como exigências de transferência de direitos ou pressão para pagamento de taxas de acesso aberto, e esclarece que reter direitos sobre a versão aceita do manuscrito não equivale a pagar pela publicação da versão final em acesso aberto. Para pesquisadores, bibliotecas, instituições e editores científicos, o guia funciona como uma ferramenta prática para planejar a comunicação científica desde a submissão, fortalecer a autonomia autoral e cumprir políticas de acesso aberto de agências de fomento como FAPESP, CNPq e CAPES.
Acesse o guia completo em: Retenção de Direitos
Fonte: Zenodo – Rede Brasileira de Reprodutibilidade
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O Brasil ocupa atualmente a terceira posição mundial entre os países com maior número de periódicos científicos universitários ativos. O dado faz parte de um estudo publicado na revista Scientometrics, especializado em métricas e análise da produção científica, que mapeou 19.414 periódicos vinculados a universidades em 148 países. O levantamento mostra os Estados Unidos na liderança, com 2.188 revistas científicas, seguidos pela Indonésia, com 2.131 títulos. O Brasil aparece logo depois, com 1.530 periódicos universitários em atividade.
A pesquisa foi desenvolvida por especialistas do Centro Leibniz de Informação para Ciência e Tecnologia (TIB), da Alemanha, em parceria com pesquisadores da Universidade de Tampere, na Finlândia, e da Universidade Hacettepe, na Turquia. Para realizar o mapeamento, os autores utilizaram dados da Ulrichsweb, uma das mais tradicionais bases internacionais de diretórios de periódicos acadêmicos.
O estudo chama atenção para um aspecto relevante do ecossistema científico brasileiro: a forte presença das universidades públicas na comunicação científica. Diferentemente do modelo predominante em países onde grandes editoras comerciais concentram boa parte das publicações acadêmicas, no Brasil muitas revistas científicas são mantidas diretamente por universidades, programas de pós-graduação, faculdades, institutos de pesquisa e bibliotecas universitárias.
Segundo os pesquisadores, esse modelo ajuda a explicar a posição brasileira no ranking global. O país possui um sistema robusto de pós-graduação e uma cultura consolidada de publicação científica institucional, fortemente estimulada pelas políticas de avaliação da Capes. A exigência de produção acadêmica contínua para programas de mestrado e doutorado incentivou, ao longo das últimas décadas, a criação e manutenção de periódicos próprios nas universidades brasileiras.
Outro ponto destacado pelo levantamento é o peso do acesso aberto. Aproximadamente metade dos periódicos universitários analisados opera nesse modelo, permitindo acesso gratuito ao conteúdo científico. No caso brasileiro, essa característica é ainda mais marcante devido à ampla adoção de plataformas como o Open Journal Systems, desenvolvido pelo Public Knowledge Project, e à presença de iniciativas estruturantes como a SciELO, criada em 1998 e reconhecida internacionalmente como referência em ciência aberta.
Os autores observam que os periódicos universitários cumprem funções que vão além da simples publicação de artigos. Em muitos países, especialmente na América Latina, essas revistas atuam como instrumentos de fortalecimento da ciência local, divulgação de pesquisas regionais e ampliação da circulação de conhecimento produzido fora dos grandes centros editoriais internacionais.
Apesar do destaque numérico, o estudo também aponta desafios. Muitos periódicos universitários enfrentam limitações financeiras, dependência de trabalho voluntário de editores e dificuldades para alcançar maior internacionalização e impacto bibliométrico. A sustentabilidade editorial, a profissionalização das equipes e a adoção de tecnologias de indexação, preservação digital e interoperabilidade continuam sendo obstáculos importantes para parte das revistas científicas brasileiras.
Ainda assim, o desempenho do Brasil evidencia a relevância da infraestrutura universitária nacional para a comunicação científica. Em um cenário global marcado pela discussão sobre ciência aberta, democratização do acesso ao conhecimento e soberania científica, a presença brasileira entre os líderes mundiais reforça o papel estratégico das universidades públicas na produção e disseminação da pesquisa acadêmica.
Fonte: Revista Pesquisa Fapesp
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Uma análise publicada pela revista The Lancet e repercutida pelo site Retraction Watch identificou um crescimento acelerado de referências bibliográficas fabricadas em artigos científicos indexados no PubMed. Segundo o levantamento, aproximadamente 1 em cada 277 artigos publicados nas primeiras semanas de 2026 continha ao menos uma citação para um trabalho inexistente. O estudo foi conduzido por pesquisadores liderados por Maxim Topaz, do Data Science Institute da Universidade Columbia.
Os pesquisadores analisaram cerca de 2,5 milhões de artigos e verificaram mais de 97 milhões de referências. Ao todo, foram encontradas 4.406 referências consideradas fabricadas, distribuídas em 2.810 artigos científicos. O aumento chama atenção porque, em 2023, a taxa era de 1 artigo com referência falsa a cada 2.828 publicações. Em 2025, o índice já havia subido para 1 em 458.
O estudo aponta que a aceleração do problema coincide com a popularização de ferramentas de inteligência artificial generativa utilizadas na redação acadêmica. Os autores afirmam ter utilizado IA para diferenciar erros de formatação de referências realmente inexistentes. Mesmo com a gravidade da situação, mais de 98% dos artigos identificados ainda não haviam recebido qualquer ação editorial até fevereiro de 2026.
O caso reforça as preocupações sobre integridade científica, revisão por pares e o uso indiscriminado de ferramentas de IA na produção acadêmica. Especialistas alertam que referências inventadas podem comprometer revisões sistemáticas, análises bibliométricas e a confiabilidade da literatura científica.
Fonte: Retraction Watch
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A presença de revistas científicas em bases de indexação internacionais continua sendo um dos principais fatores para ampliar o alcance e a relevância da comunicação científica. Em artigo publicado no dia 29 de abril de 2026 no blog SciELO em Perspectiva, pesquisadores discutem evidências que mostram como a indexação internacional contribui diretamente para o aumento das submissões de artigos e para a visibilidade dos periódicos.
O texto parte de uma constatação considerada “óbvia” dentro do meio editorial científico: revistas indexadas em bases reconhecidas tendem a ser mais procuradas por pesquisadores. No entanto, os autores destacam que, apesar dessa percepção amplamente difundida, ainda são importantes estudos que comprovem esse impacto de maneira objetiva. A análise apresentada mostra que a entrada de periódicos em sistemas internacionais de indexação gera crescimento significativo tanto na quantidade de manuscritos recebidos quanto na circulação dos artigos publicados.
Segundo o artigo, a indexação funciona como um mecanismo de validação da qualidade editorial. Quando um periódico passa a integrar bases internacionais, ele se torna mais facilmente encontrado por pesquisadores, instituições e sistemas de busca acadêmicos em diferentes países. Isso amplia a probabilidade de leitura, compartilhamento e citação dos artigos, além de aumentar o interesse de autores que buscam maior alcance para suas pesquisas.
Outro ponto destacado é que a indexação não representa apenas uma vitrine internacional, mas também um processo de amadurecimento editorial. Para atender aos critérios exigidos pelas bases indexadoras, os periódicos precisam aprimorar diferentes aspectos da gestão editorial, como periodicidade regular, transparência nos processos de avaliação por pares, padronização de metadados, adoção de identificadores persistentes e publicação de conteúdos em inglês ou em formatos multilíngues.
O artigo também chama atenção para o efeito indireto desse crescimento. Com o aumento das submissões, as revistas passam a ter maior capacidade de seleção, o que pode elevar a qualidade média dos artigos publicados. Ao mesmo tempo, isso exige mais estrutura das equipes editoriais, ampliação do corpo de pareceristas e investimentos em tecnologia para gestão dos fluxos editoriais.
A discussão dialoga diretamente com os desafios enfrentados por periódicos científicos da América Latina e de países em desenvolvimento, que frequentemente buscam maior internacionalização sem perder relevância regional. Nesse contexto, iniciativas como a própria SciELO desempenham papel importante ao apoiar padrões de qualidade editorial e ampliar a integração da produção científica local aos sistemas globais de comunicação científica.
Os autores reforçam que a indexação internacional não deve ser vista como objetivo isolado, mas como parte de uma estratégia mais ampla de fortalecimento editorial, ciência aberta e disseminação do conhecimento científico. O estudo evidencia que visibilidade, credibilidade e alcance internacional estão cada vez mais conectados à capacidade dos periódicos de atender critérios técnicos e editoriais reconhecidos globalmente.
Fonte: SciELO em Perspectiva
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Uma nova ferramenta de inteligência artificial foi desenvolvida para identificar relatórios de revisão por pares duplicados ou excessivamente semelhantes em periódicos científicos. O sistema foi criado pelo Institute of Physics Publishing (IOPP) com o objetivo de auxiliar editoras acadêmicas na detecção de possíveis casos de plágio, reutilização indevida de pareceres e manipulação do processo de peer review.
Batizada de Duplicate Review Checker, a tecnologia combina modelos de IA e análise textual para examinar pareceres submetidos por revisores. O sistema é capaz de detectar padrões considerados suspeitos, como reutilização recorrente de trechos, avaliações praticamente idênticas em artigos distintos, linguagem excessivamente genérica e indícios associados a redes organizadas de revisão fraudulenta. A proposta não é substituir a atuação dos editores, mas fornecer alertas automáticos que possam acelerar investigações internas e fortalecer os mecanismos de controle editorial.
O desenvolvimento da ferramenta responde a um problema crescente no ecossistema científico: o aumento de fraudes relacionadas ao peer review. Nos últimos anos, publishers e periódicos enfrentaram diversos casos de manipulação envolvendo revisores falsos, identidades fictícias, conflitos de interesse ocultos e até “paper mills” — estruturas organizadas que produzem pesquisas fraudulentas em larga escala para inflar currículos acadêmicos e métricas de publicação.
Outro ponto de preocupação é o uso crescente de inteligência artificial generativa na elaboração de pareceres. Embora essas ferramentas possam auxiliar revisores legítimos em tarefas operacionais, editores demonstram preocupação com o avanço de avaliações automatizadas, superficiais ou produzidas em massa, o que pode comprometer a qualidade e a credibilidade da revisão científica. Segundo especialistas ouvidos pela Nature, o desafio atual não é apenas identificar textos gerados por IA, mas reconhecer padrões de comportamento incompatíveis com uma revisão científica autêntica, crítica e criteriosa.
Nesse contexto, a ferramenta desenvolvida pelo IOPP surge como uma estratégia de apoio à integridade científica. O sistema funciona como um mecanismo de triagem capaz de sinalizar padrões incomuns que poderiam passar despercebidos em análises convencionais. Para especialistas da área, soluções desse tipo tendem a ganhar relevância à medida que aumentam o volume de submissões científicas e a presença de ferramentas de IA nos fluxos de comunicação acadêmica.
Atualmente, a ferramenta ainda não possui aplicação comercial e permanece em fase de testes nas revistas do IOPP, funcionando como um sistema experimental de apoio às equipes editoriais.
Fonte: Nature
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A Rede Brasileira de Reprodutibilidade lançou, em 2026, um documento estratégico com 10 recomendações para promover a ciência aberta e reprodutível nos programas de pós-graduação do país. A iniciativa surge em um momento em que a CAPES passa a incorporar critérios de ciência aberta na avaliação dos programas e em que o Plano Nacional de Pós-Graduação 2025–2029 reforça o papel da pesquisa científica no desenvolvimento nacional. Nesse contexto, o material não apenas apresenta diretrizes, mas propõe uma mudança estrutural na forma como a ciência é produzida, avaliada e compartilhada no Brasil.
O documento parte do princípio de que a adoção de práticas abertas e reprodutíveis deve ocorrer ao longo de todo o ciclo da pesquisa, desde a formação dos pesquisadores até a disseminação dos resultados. Por isso, as recomendações não são isoladas, mas interdependentes, formando um conjunto coerente de ações que se reforçam mutuamente. A seguir, essas diretrizes são detalhadas, evidenciando como podem ser aplicadas na prática pelos programas de pós-graduação.
No conjunto, as 10 recomendações formam um modelo integrado que conecta avaliação, formação, produção e disseminação científica. Mais do que diretrizes pontuais, o documento propõe uma reconfiguração da cultura acadêmica, alinhando a pós-graduação brasileira às tendências internacionais de ciência aberta e fortalecendo a confiabilidade, a relevância e o impacto da pesquisa.
Acesse o documento completo aqui: Recomendações para uma Ciência Aberta e Reprodutível na Pós-Graduação
Fonte: Rede Brasileira de Reprodutibilidade
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