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  • Mais da metade dos pesquisadores que pagaram APCs usou recursos próprios, aponta estudo

    A comunidade científica brasileira demonstra forte adesão aos princípios do acesso aberto, mas permanece dividida quanto ao pagamento de taxas de processamento de artigos, conhecidas como APCs. Essa é uma das principais conclusões do estudo “Percepções e Práticas sobre o Acesso Aberto e o Pagamento de Taxas de Processamento de Artigos no Brasil”, desenvolvido com participação de pesquisadores do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict).

    A pesquisa analisou respostas de 6.288 bolsistas de Produtividade em Pesquisa do CNPq, obtidas a partir de um universo de 15.426 pesquisadores convidados, alcançando uma taxa de participação de 40,71%. O trabalho integra um projeto internacional coordenado pelo Global Research Institute of Paris, que reúne pesquisadores de cinco países da América Latina e da África.

    Os resultados mostram que, embora haja consenso sobre a importância do acesso aberto para ampliar a circulação do conhecimento científico, as opiniões sobre a cobrança de APCs são equilibradas entre favoráveis e contrárias. O estudo identificou diferenças entre áreas do conhecimento e estágios da carreira acadêmica. Pesquisadores das Ciências Agrárias e da Saúde, além daqueles com bolsas PQ de níveis mais elevados, demonstraram maior preferência por periódicos de acesso restrito. Já nas Humanidades e Ciências Sociais, predominou a preferência pelo modelo de acesso aberto diamante, que não cobra taxas de autores nem de leitores.

    Outro dado relevante indica desafios relacionados à sustentabilidade do sistema de comunicação científica. Entre os pesquisadores que já arcaram com APCs, mais da metade afirmou ter utilizado recursos próprios ou parte de seus salários para custear as publicações. Segundo os autores, os resultados podem subsidiar políticas públicas e institucionais voltadas à promoção de uma ciência mais aberta, democrática e equitativa. O artigo foi publicado na revista Dados e está disponível para leitura na íntegra na plataforma SciELO.


    Fonte: ibict
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  • Estudo revela mercado global de fraude acadêmica operado por empresas de venda de artigos científicos

    Uma investigação internacional identificou a dimensão de um mercado organizado dedicado à comercialização de artigos científicos e à oferta de autoria em trabalhos acadêmicos. O estudo, divulgado em maio de 2026 e disponível no repositório ArXiv, analisou mais de 18 mil anúncios publicados entre 2020 e 2026 em aplicativos e sites mantidos por sete empresas que atuam em países como Índia, Iraque, Uzbequistão, Rússia, Letônia, Cazaquistão e Ucrânia.

    A pesquisa foi conduzida pelo biólogo computacional Reese Richardson, pesquisador de pós-doutorado da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, em colaboração com Spencer Hong, da mesma instituição, e Ana Abalkina, da Universidade Livre de Berlim, especialista em investigação de fraudes científicas.

    Os pesquisadores observaram que essas empresas anunciam serviços que incluem a produção de manuscritos sob encomenda, a inclusão de autores em artigos já aceitos para publicação e a intermediação de trabalhos em diferentes áreas do conhecimento. Segundo os autores, a prática evidencia a existência de uma cadeia estruturada de fraude acadêmica, capaz de movimentar recursos financeiros e comprometer a confiabilidade da literatura científica.

    O levantamento é considerado o maior já realizado sobre esse tipo de atividade e reforça preocupações de editores, instituições de pesquisa e agências de fomento com o crescimento das chamadas “fábricas de papers”. O fenômeno representa um desafio para a integridade científica, exigindo o aperfeiçoamento de mecanismos de detecção e prevenção de irregularidades no processo de publicação acadêmica.


    Fonte: Revista Pesquisa FAPESP
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  • PUB IN promove webinar sobre critérios de inclusão de revistas no DOAJ

    O projeto PUB IN realizará, em 22 de junho de 2026, às 10 horas, o webinar “DOAJ: Visão geral, critérios de inclusão e processo editorial”, com o objetivo de apresentar o funcionamento do Directory of Open Access Journals (DOAJ) e orientar equipas editoriais interessadas em indexar os seus periódicos na base de dados.

    O evento será realizado em formato online e abordará o papel do DOAJ como uma das principais referências internacionais para revistas científicas de acesso aberto, destacando os requisitos necessários para inclusão, o processo de candidatura e as etapas de avaliação conduzidas pela organização. Também serão discutidas orientações práticas destinadas a apoiar editores e equipes responsáveis pela gestão editorial de periódicos científicos.

    A iniciativa integra as atividades do PUB IN, projeto desenvolvido pela Universidade do Minho em colaboração com a Fundação para a Ciência e a Tecnologia, por meio da FCCN, com foco na promoção de boas práticas de publicação científica e Ciência Aberta entre revistas portuguesas.

    O webinar será gratuito e direcionado a editores, gestores editoriais e demais profissionais envolvidos na publicação científica que desejam compreender melhor os critérios de qualidade exigidos pelo DOAJ e aumentar a visibilidade internacional das suas revistas por meio da indexação em diretórios reconhecidos.

    Inscrições aqui: Webinar PUBIN - DOAJ: Visão geral, critérios de inclusão e processo editorial


    Fonte: PUB IN
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  • Artigo defende novos padrões de crédito e rastreabilidade para aplicações de IA acadêmica

    A rápida incorporação da inteligência artificial às atividades de pesquisa tem ampliado o debate sobre como garantir crédito adequado às fontes de informação utilizadas por essas ferramentas. Em artigo publicado em 17 de junho de 2026 no blog The Scholarly Kitchen, Todd A. Carpenter argumenta que conceitos frequentemente tratados como equivalentes, como atribuição, procedência, referência e citação, possuem funções distintas e precisam ser melhor compreendidos no contexto das aplicações de IA voltadas à pesquisa científica.

    Segundo o autor, a atribuição está relacionada ao reconhecimento de contribuições intelectuais, enquanto a procedência descreve a origem e o histórico de transformação de dados e conteúdos. Já as referências e citações cumprem o papel de direcionar leitores para fontes específicas e sustentar afirmações apresentadas em textos acadêmicos.

    Carpenter destaca que muitos sistemas de inteligência artificial generativa ainda não conseguem oferecer mecanismos confiáveis para indicar de onde suas respostas foram obtidas, o que pode comprometer a transparência, a confiança e o devido reconhecimento aos autores originais. Para ele, incorporar informações robustas de procedência e citação às plataformas de IA é um requisito fundamental para ampliar sua adoção em ambientes acadêmicos e científicos.

    O artigo também reforça que pesquisadores, editores e desenvolvedores devem exigir padrões mais elevados de rastreabilidade das informações produzidas por modelos de linguagem, contribuindo para preservar a integridade da comunicação científica em um cenário cada vez mais influenciado pela inteligência artificial.


    Fonte: The Scholarly Kitchen
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  • Avaliações duplicadas no REF levantam debate sobre eficiência da revisão acadêmica

    A crescente sobrecarga sobre revisores acadêmicos tem levado pesquisadores a questionar a eficiência dos atuais processos de avaliação da pesquisa. Em artigo publicado no portal Wonkhe, Stuart King, gestor de Qualidade e Cultura de Pesquisa da Universidade de Loughborough, argumenta que a comunidade científica não precisa produzir mais pareceres, mas sim encontrar formas de reaproveitar aqueles que já existem.

    O debate ocorre no contexto do Research Excellence Framework (REF), sistema utilizado no Reino Unido para avaliar periodicamente a qualidade, o impacto e o ambiente de pesquisa das universidades. Os resultados do REF influenciam diretamente a distribuição de recursos públicos para pesquisa e ajudam a medir a contribuição científica e social das instituições. Diferentemente do Brasil, onde a avaliação da pós-graduação é conduzida principalmente pela Capes com foco nos programas de pós-graduação, produção científica e formação de recursos humanos, o REF concentra-se na avaliação institucional da pesquisa e atribui grande peso ao impacto gerado além do ambiente acadêmico.

    Segundo King, é comum que pesquisadores recebam solicitações repetidas para avaliar os mesmos trabalhos em diferentes universidades durante os preparativos para o REF. Em um dos casos citados, um acadêmico relatou ter recusado pedidos de revisão de 19 instituições distintas, todas interessadas em obter pareceres para seus processos internos de avaliação.

    Para o autor, essa duplicação representa um desperdício significativo de tempo, recursos e esforço intelectual. Além das avaliações realizadas para o REF, muitos desses trabalhos já passaram pelo tradicional processo de revisão por pares antes de serem publicados em periódicos ou livros acadêmicos.

    Como alternativa, King propõe ampliar o reaproveitamento dos pareceres já produzidos. Em vez de permanecerem restritos a uma única instituição, esses documentos poderiam ser compartilhados entre coautores e organizações parceiras, reduzindo a necessidade de novas rodadas de avaliação para os mesmos resultados de pesquisa.

    A proposta se conecta aos princípios da ciência aberta e às discussões internacionais sobre a modernização da avaliação científica. Embora reconheça que os pareceres editoriais e as avaliações do REF possuem finalidades distintas, o pesquisador defende que a reutilização responsável dessas análises pode tornar o sistema mais eficiente e sustentável, reduzindo a crescente carga de trabalho imposta à comunidade acadêmica.


    Fonte: Wonkhe
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  • Diadorim amplia visibilidade das políticas editoriais e fortalece a ciência aberta no Brasil

    O Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict) reforçou recentemente a importância do Diadorim, diretório que reúne informações sobre as políticas editoriais das revistas científicas brasileiras relacionadas ao armazenamento e ao acesso de artigos em repositórios digitais de acesso aberto.

    Criado em 2012 no contexto do Movimento de Acesso Aberto, o Diadorim funciona como uma referência para editores, autores e gestores de repositórios, contribuindo para que as condições estabelecidas pelas revistas para o compartilhamento de artigos sejam conhecidas e respeitadas. O serviço permite consultar, de forma organizada, as permissões concedidas pelas publicações para depósito e preservação de conteúdos científicos.

    Nos últimos anos, o diretório passou por um processo de modernização tecnológica, incluindo a adoção da plataforma VuFind e a reformulação de sua interface. As mudanças facilitaram a navegação, aprimoraram a experiência dos usuários e ampliaram a integração com o Miguilim, diretório nacional de revistas científicas eletrônicas mantido pelo próprio Ibict.

    Além de apoiar a gestão editorial dos periódicos, o Diadorim desempenha um papel estratégico no fortalecimento da ciência aberta no Brasil. Ao reunir e divulgar informações sobre as políticas de arquivamento e compartilhamento de artigos científicos, o diretório promove maior transparência no processo de comunicação científica, facilita a atuação de autores e gestores de repositórios e amplia a visibilidade das revistas brasileiras no cenário do acesso aberto.

    Para integrar o Diadorim, a revista deve informar suas políticas editoriais relacionadas ao depósito e ao compartilhamento de artigos científicos em repositórios digitais. Após a análise e validação das informações pela equipe responsável, os dados passam a compor a base do Diadorim, tornando as diretrizes da publicação mais acessíveis para toda a comunidade acadêmica.

    E a sua revista, já está cadastrada no Diadorim? O serviço está disponível em https://diadorim.ibict.br  e representa uma importante iniciativa para ampliar a transparência editorial, fortalecer as práticas de ciência aberta e aumentar a visibilidade das publicações científicas brasileiras.


    Fonte: Ibict
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  • Retratações deixam de ser apenas um problema editorial e chegam ao financiamento

    A Índia está promovendo uma mudança significativa em sua política de integridade científica ao exigir que pesquisadores informem retratações de artigos ocorridas nos últimos cinco anos ao solicitar recursos de pesquisa. A medida foi anunciada pela Anusandhan National Research Foundation (ANRF), principal agência de fomento do país, e passa a integrar os critérios de avaliação de propostas submetidas ao programa Advanced Grant Research.

    Segundo a análise publicada por Minhaj Rais, a iniciativa representa uma mudança importante na cadeia de responsabilização da integridade científica. Tradicionalmente, o monitoramento de problemas como fraudes, manipulação de dados e publicações irregulares tem sido conduzido principalmente por editoras científicas e organizações ligadas à comunicação acadêmica. Com a nova regra, as agências financiadoras passam a assumir um papel mais ativo, vinculando o histórico de retratações dos pesquisadores à possibilidade de obtenção de novos financiamentos.

    O contexto ajuda a explicar a decisão. Embora a Índia responda por cerca de 5% da produção científica indexada mundial, o país ocupa posição de destaque no número de retratações de artigos na área de ciências da vida. A nova política busca incentivar maior responsabilidade dos pesquisadores e fortalecer a confiança nos resultados científicos produzidos.

    O artigo também destaca que a Índia segue uma tendência observada em outros países. Na China, por exemplo, pesquisadores envolvidos em má conduta podem ser publicamente identificados, perder acesso a financiamentos por vários anos e até ser obrigados a devolver recursos recebidos. A avaliação é que a participação mais ativa das agências de fomento pode tornar o sistema de pesquisa mais robusto, distribuindo a responsabilidade pela integridade científica entre pesquisadores, instituições, financiadores e editoras.

    A medida ainda dependerá de sua implementação prática, mas já sinaliza uma mudança relevante na forma como a integridade da pesquisa é tratada no cenário científico internacional.


    Fonte: Research Information
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  • O avanço da IA e o desafio da confiabilidade na divulgação da ciência

    A rápida adoção de ferramentas de inteligência artificial vem transformando a produção de conteúdo em diversas áreas, incluindo o jornalismo científico. No entanto, o uso dessas tecnologias também traz desafios importantes relacionados à confiabilidade das informações. É esse cenário que a reportagem “A armadilha das alucinações”, publicada pela Revista Pesquisa FAPESP, analisa ao discutir os riscos e as oportunidades da IA na cobertura de temas científicos.

    O texto apresenta casos em que sistemas de inteligência artificial produziram informações incorretas ou até mesmo inventadas, fenômeno conhecido como “alucinação”. Essas falhas podem incluir dados inexistentes, referências bibliográficas falsas ou interpretações equivocadas de pesquisas científicas. Quando utilizadas sem supervisão adequada, essas ferramentas podem comprometer a qualidade da informação divulgada ao público.

    Ao mesmo tempo, a reportagem destaca que a IA tem potencial para ampliar a produtividade de jornalistas e comunicadores científicos, auxiliando em tarefas como organização de dados, análise de documentos e elaboração de rascunhos. O benefício, porém, depende da verificação rigorosa das informações geradas pelos sistemas automatizados.

    Especialistas ouvidos pela reportagem reforçam que a responsabilidade final pelo conteúdo continua sendo humana. A checagem de fatos, a validação de fontes e a análise crítica permanecem essenciais para garantir a precisão das informações, especialmente em áreas sensíveis como a ciência e a saúde.

    A matéria evidencia que o futuro da comunicação científica não passa pela substituição dos profissionais pela inteligência artificial, mas pela construção de uma relação equilibrada entre tecnologia e supervisão humana. Nesse contexto, o uso responsável da IA surge como um requisito fundamental para preservar a credibilidade da informação científica e combater a disseminação de erros e desinformação.


    Fonte: Revista Fapesp
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  • "Pandemia da falta de revisores" ameaça a sustentabilidade da publicação científica

    A crescente dificuldade em encontrar pesquisadores dispostos a revisar manuscritos científicos pode estar levando o sistema de publicação acadêmica a uma crise sem precedentes. Em editorial publicado nos Annals of the Brazilian Academy of Sciences, o pesquisador Alexander W.A. Kellner denomina esse fenômeno de "Pandemia da Falta de Revisores" (LRP, na sigla em inglês) e alerta para seus impactos sobre a qualidade e a velocidade da comunicação científica.

    Segundo o autor, o cenário atual exige que editores convidem um número cada vez maior de especialistas para conseguir avaliações dos artigos submetidos. Kellner observa que, enquanto no passado dois ou três convites costumavam ser suficientes, hoje é comum iniciar o processo convidando cinco revisores de imediato e, ainda assim, raramente obter duas avaliações antes de enviar pelo menos dez convites. O pesquisador também chama a atenção para a queda na qualidade de parte dos pareceres, com um número crescente de revisões realizadas de forma inadequada, ampliando os desafios enfrentados pelos periódicos científicos.

    O problema se soma a outros fatores que pressionam a comunicação científica, como a redução de financiamento para periódicos, a cultura do "publicar ou perecer", o crescimento de periódicos predatórios e a expansão das chamadas paper mills. Nesse contexto, a revisão por pares, considerada um dos pilares da ciência, passa a enfrentar dificuldades para se manter sustentável.

    O editorial destaca que os pesquisadores responsáveis pelas avaliações, geralmente de forma voluntária, raramente recebem reconhecimento ou benefícios proporcionais ao trabalho realizado. Entre as alternativas discutidas estão a valorização formal da atividade de parecerista, incentivos institucionais e o uso de ferramentas de inteligência artificial para automatizar tarefas operacionais, como conferência de referências e adequação às normas editoriais.

    Para Kellner, especialmente no caso de periódicos científicos sem fins lucrativos e de acesso aberto, o engajamento da comunidade acadêmica é fundamental para evitar o colapso do atual sistema de avaliação e publicação científica.


    Fonte: Anais da Academia Brasileira de Ciências – SciElo Brasil
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