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A presença de revistas científicas em bases de indexação internacionais continua sendo um dos principais fatores para ampliar o alcance e a relevância da comunicação científica. Em artigo publicado no dia 29 de abril de 2026 no blog SciELO em Perspectiva, pesquisadores discutem evidências que mostram como a indexação internacional contribui diretamente para o aumento das submissões de artigos e para a visibilidade dos periódicos.
O texto parte de uma constatação considerada “óbvia” dentro do meio editorial científico: revistas indexadas em bases reconhecidas tendem a ser mais procuradas por pesquisadores. No entanto, os autores destacam que, apesar dessa percepção amplamente difundida, ainda são importantes estudos que comprovem esse impacto de maneira objetiva. A análise apresentada mostra que a entrada de periódicos em sistemas internacionais de indexação gera crescimento significativo tanto na quantidade de manuscritos recebidos quanto na circulação dos artigos publicados.
Segundo o artigo, a indexação funciona como um mecanismo de validação da qualidade editorial. Quando um periódico passa a integrar bases internacionais, ele se torna mais facilmente encontrado por pesquisadores, instituições e sistemas de busca acadêmicos em diferentes países. Isso amplia a probabilidade de leitura, compartilhamento e citação dos artigos, além de aumentar o interesse de autores que buscam maior alcance para suas pesquisas.
Outro ponto destacado é que a indexação não representa apenas uma vitrine internacional, mas também um processo de amadurecimento editorial. Para atender aos critérios exigidos pelas bases indexadoras, os periódicos precisam aprimorar diferentes aspectos da gestão editorial, como periodicidade regular, transparência nos processos de avaliação por pares, padronização de metadados, adoção de identificadores persistentes e publicação de conteúdos em inglês ou em formatos multilíngues.
O artigo também chama atenção para o efeito indireto desse crescimento. Com o aumento das submissões, as revistas passam a ter maior capacidade de seleção, o que pode elevar a qualidade média dos artigos publicados. Ao mesmo tempo, isso exige mais estrutura das equipes editoriais, ampliação do corpo de pareceristas e investimentos em tecnologia para gestão dos fluxos editoriais.
A discussão dialoga diretamente com os desafios enfrentados por periódicos científicos da América Latina e de países em desenvolvimento, que frequentemente buscam maior internacionalização sem perder relevância regional. Nesse contexto, iniciativas como a própria SciELO desempenham papel importante ao apoiar padrões de qualidade editorial e ampliar a integração da produção científica local aos sistemas globais de comunicação científica.
Os autores reforçam que a indexação internacional não deve ser vista como objetivo isolado, mas como parte de uma estratégia mais ampla de fortalecimento editorial, ciência aberta e disseminação do conhecimento científico. O estudo evidencia que visibilidade, credibilidade e alcance internacional estão cada vez mais conectados à capacidade dos periódicos de atender critérios técnicos e editoriais reconhecidos globalmente.
Fonte: SciELO em Perspectiva
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Uma nova ferramenta de inteligência artificial foi desenvolvida para identificar relatórios de revisão por pares duplicados ou excessivamente semelhantes em periódicos científicos. O sistema foi criado pelo Institute of Physics Publishing (IOPP) com o objetivo de auxiliar editoras acadêmicas na detecção de possíveis casos de plágio, reutilização indevida de pareceres e manipulação do processo de peer review.
Batizada de Duplicate Review Checker, a tecnologia combina modelos de IA e análise textual para examinar pareceres submetidos por revisores. O sistema é capaz de detectar padrões considerados suspeitos, como reutilização recorrente de trechos, avaliações praticamente idênticas em artigos distintos, linguagem excessivamente genérica e indícios associados a redes organizadas de revisão fraudulenta. A proposta não é substituir a atuação dos editores, mas fornecer alertas automáticos que possam acelerar investigações internas e fortalecer os mecanismos de controle editorial.
O desenvolvimento da ferramenta responde a um problema crescente no ecossistema científico: o aumento de fraudes relacionadas ao peer review. Nos últimos anos, publishers e periódicos enfrentaram diversos casos de manipulação envolvendo revisores falsos, identidades fictícias, conflitos de interesse ocultos e até “paper mills” — estruturas organizadas que produzem pesquisas fraudulentas em larga escala para inflar currículos acadêmicos e métricas de publicação.
Outro ponto de preocupação é o uso crescente de inteligência artificial generativa na elaboração de pareceres. Embora essas ferramentas possam auxiliar revisores legítimos em tarefas operacionais, editores demonstram preocupação com o avanço de avaliações automatizadas, superficiais ou produzidas em massa, o que pode comprometer a qualidade e a credibilidade da revisão científica. Segundo especialistas ouvidos pela Nature, o desafio atual não é apenas identificar textos gerados por IA, mas reconhecer padrões de comportamento incompatíveis com uma revisão científica autêntica, crítica e criteriosa.
Nesse contexto, a ferramenta desenvolvida pelo IOPP surge como uma estratégia de apoio à integridade científica. O sistema funciona como um mecanismo de triagem capaz de sinalizar padrões incomuns que poderiam passar despercebidos em análises convencionais. Para especialistas da área, soluções desse tipo tendem a ganhar relevância à medida que aumentam o volume de submissões científicas e a presença de ferramentas de IA nos fluxos de comunicação acadêmica.
Atualmente, a ferramenta ainda não possui aplicação comercial e permanece em fase de testes nas revistas do IOPP, funcionando como um sistema experimental de apoio às equipes editoriais.
Fonte: Nature
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A Rede Brasileira de Reprodutibilidade lançou, em 2026, um documento estratégico com 10 recomendações para promover a ciência aberta e reprodutível nos programas de pós-graduação do país. A iniciativa surge em um momento em que a CAPES passa a incorporar critérios de ciência aberta na avaliação dos programas e em que o Plano Nacional de Pós-Graduação 2025–2029 reforça o papel da pesquisa científica no desenvolvimento nacional. Nesse contexto, o material não apenas apresenta diretrizes, mas propõe uma mudança estrutural na forma como a ciência é produzida, avaliada e compartilhada no Brasil.
O documento parte do princípio de que a adoção de práticas abertas e reprodutíveis deve ocorrer ao longo de todo o ciclo da pesquisa, desde a formação dos pesquisadores até a disseminação dos resultados. Por isso, as recomendações não são isoladas, mas interdependentes, formando um conjunto coerente de ações que se reforçam mutuamente. A seguir, essas diretrizes são detalhadas, evidenciando como podem ser aplicadas na prática pelos programas de pós-graduação.
No conjunto, as 10 recomendações formam um modelo integrado que conecta avaliação, formação, produção e disseminação científica. Mais do que diretrizes pontuais, o documento propõe uma reconfiguração da cultura acadêmica, alinhando a pós-graduação brasileira às tendências internacionais de ciência aberta e fortalecendo a confiabilidade, a relevância e o impacto da pesquisa.
Acesse o documento completo aqui: Recomendações para uma Ciência Aberta e Reprodutível na Pós-Graduação
Fonte: Rede Brasileira de Reprodutibilidade
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O Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict) lançou, em abril de 2026, uma pesquisa voltada à coleta de informações de usuários com o objetivo de apoiar a criação do Diretório Brasileiro de Avaliadores Científicos e Técnicos. A iniciativa busca reunir dados estratégicos sobre profissionais que atuam ou desejam atuar como avaliadores, contribuindo para o fortalecimento da avaliação por pares no país.
A proposta do diretório é organizar e ampliar o acesso a especialistas qualificados em diferentes áreas do conhecimento, facilitando o trabalho de periódicos científicos, agências de fomento e instituições de pesquisa. Com isso, o Ibict pretende promover maior transparência, eficiência e qualidade nos processos de avaliação científica, considerados fundamentais para a credibilidade da produção acadêmica.
Na prática, a proposta é criar uma plataforma capaz de conectar especialistas a instituições, periódicos e iniciativas que demandam avaliação, funcionando como um “match científico”. O objetivo é tornar mais ágil, transparente e qualificado o processo de identificação e seleção de avaliadores no país.
A pesquisa está disponível online e é direcionada a pesquisadores, editores e demais profissionais envolvidos com a comunicação científica. As informações coletadas irão subsidiar o desenvolvimento da plataforma, garantindo que ela atenda às necessidades reais da comunidade acadêmica brasileira.
A criação do diretório também se alinha a iniciativas internacionais que buscam valorizar e reconhecer o trabalho dos avaliadores, frequentemente realizado de forma voluntária e pouco visível. Ao estruturar essa base de dados, o Ibict contribui para o avanço das práticas de ciência aberta e para o aprimoramento do ecossistema de publicação científica no Brasil.
Acesse o questionário aqui: Pesquisa de necessidades informacionais para criação do diretório brasileiro de avaliadores científicos e técnicos
Fonte: Ibict
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Um artigo publicado em 27 de abril de 2026 no blog Scholarly Kitchen defende a necessidade de reforçar os critérios de seleção na etapa inicial da publicação científica, como forma de restaurar a confiança e garantir valor de longo prazo no ecossistema acadêmico. O autor argumenta que o crescimento acelerado do volume de artigos publicados tem comprometido a qualidade média das pesquisas, pressionando editores e revisores e dificultando a identificação de trabalhos realmente relevantes.
Segundo o texto, o modelo atual, fortemente orientado por métricas quantitativas e incentivos à produtividade, favorece a submissão massiva de estudos, muitas vezes com baixo rigor metodológico. Nesse cenário, o chamado “front-end gatekeeping”, ou filtragem inicial mais rigorosa pelos periódicos, surge como estratégia essencial para reduzir a sobrecarga do sistema de revisão por pares e elevar o padrão das publicações.
O autor destaca que essa triagem mais criteriosa deve envolver editores experientes e processos bem definidos, capazes de avaliar rapidamente a relevância, originalidade e robustez dos manuscritos antes de encaminhá-los à revisão. Além disso, reforça que a adoção dessas práticas pode contribuir para melhorar a reputação das revistas, aumentar a confiança dos leitores e otimizar o uso de recursos editoriais.
A discussão ganha relevância em um contexto de expansão da ciência aberta e aumento da pressão por publicação, apontando para a necessidade de equilibrar acesso, velocidade e qualidade na comunicação científica contemporânea.
Fonte: The Scholarly Kitchen
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Um estudo publicado na revista Métodos de Información analisa o potencial da Inteligência Artificial (IA) para transformar a gestão e a difusão da produção científica em repositórios institucionais, no contexto da Ciência Aberta. A pesquisa, conduzida por Jorge Caldera Serrano, da Universidad de Extremadura, foi recebida em agosto de 2025 e aceita em novembro do mesmo ano.
Baseado em revisão bibliográfica em bases como WoS, Scopus e Google Scholar, o trabalho identifica diversas aplicações práticas da IA nesses ambientes digitais, que são fundamentais para garantir acesso aberto, preservação e visibilidade da ciência. Entre os principais usos estão a automação de processos internos, como indexação e catalogação de documentos, além da extração automática de metadados, reduzindo erros e aumentando a eficiência operacional .
O estudo também destaca o papel da IA na personalização do acesso à informação, por meio de sistemas de recomendação que sugerem conteúdos com base no comportamento dos usuários. Isso contribui para ampliar a visibilidade de pesquisas e fomentar colaborações científicas. Outro ponto relevante é a melhoria da acessibilidade, com recursos como tradução automática de artigos, reduzindo barreiras linguísticas.
Além disso, a IA pode fortalecer a transparência e a integridade científica ao viabilizar auditorias de dados, detecção de plágio e monitoramento de qualidade. A pesquisa também aponta avanços na avaliação científica, com métricas mais amplas que consideram interações e impacto social, indo além dos indicadores tradicionais.
Apesar do potencial, o estudo alerta para desafios como questões éticas, vieses algorítmicos, necessidade de infraestrutura e garantia de segurança dos dados. Ainda assim, conclui que a integração da IA aos repositórios institucionais tende a tornar a ciência mais acessível, eficiente e colaborativa, beneficiando pesquisadores, gestores e a sociedade.
Leia o estudo completo aqui: Potencialidades de la Inteligencia Artificial en la difusión de la Ciencia a través de repositorios institucionales
Fonte: Journal Information Methods
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A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) promove, no dia 28 de abril, um webinário voltado à comunidade acadêmica com foco em integração e gestão de dados científicos. Intitulado “Lançamento Coleta+ e Interoperabilidade”, o evento será transmitido ao vivo, das 9h às 17h, pelo canal oficial da CAPES no YouTube, sem necessidade de inscrição prévia.
A iniciativa integra uma série de treinamentos direcionados a bibliotecários, gestores de repositórios institucionais, pró-reitores, coordenadores de pós-graduação e profissionais de tecnologia da informação. A programação contempla discussões sobre interoperabilidade de dados, integração de sistemas e boas práticas na gestão da informação acadêmica, além de apresentar o novo módulo Coleta+, vinculado à Plataforma Sucupira.
Durante o evento, também será lançado o curso “Introdução aos Identificadores Persistentes”, desenvolvido em parceria com a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP). A formação já está disponível na plataforma de aprendizagem da RNP e aborda conceitos fundamentais para garantir a identificação única e duradoura de pesquisadores, publicações e instituições no ecossistema científico digital.
A proposta da CAPES é ampliar a compreensão sobre o uso de identificadores persistentes como elemento estratégico para a interoperabilidade entre sistemas e a confiabilidade dos dados acadêmicos. A participação é aberta a todos os interessados, que podem acessar diretamente a transmissão no horário programado e acompanhar os conteúdos de acordo com suas áreas de interesse.
Fonte: Capes
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Um projeto apresentado no webinário "Voices from Crossref Metadata Sprint in São Paulo", realizado na última 4ª feira e destinado à apresentação dos trabalhos desenvolvidos durante o evento, busca transformar a forma como retratações e correções científicas são registradas. O projeto, intitulado Scholarly Retractions and Corrections Tool, foi desenvolvido por Eugênio Telles, CEO da GeniusDesign, e propõe uma abordagem centrada na experiência do usuário para simplificar o uso do Crossmark, serviço da Crossref voltado à atualização de conteúdos científicos.
O ponto de partida da iniciativa é um problema recorrente no ecossistema editorial: o processo atual de formatação e depósito de arquivos XML para retratações e correções exige conhecimento técnico avançado, o que dificulta sua adoção por editores e aumenta a chance de erros. Conforme destacado na apresentação, essa barreira acaba desestimulando o registro adequado dessas atualizações, comprometendo a transparência e a integridade da comunicação científica.
Para enfrentar esse desafio, Eugênio Telles propôs o desenvolvimento de uma ferramenta com formulários intuitivos que geram automaticamente o XML pronto para depósito. A solução inclui fluxos distintos para correções e retratações, reconhecendo as especificidades de cada tipo de registro, além de um painel interativo que permite monitorar esses eventos em tempo real e em escala global.
O projeto já conta com um protótipo funcional, com formulários em múltiplas etapas, geração automatizada de XML válido e submissão via aplicação, sem armazenamento de dados dos usuários. Também foi desenvolvido um dashboard de monitoramento que amplia a visibilidade sobre retratações e correções no cenário global, reforçando o papel estratégico dos metadados na integridade científica.
Entre os próximos passos estão a validação dos registros, a implementação de suporte multilíngue e a criação de materiais educativos para orientar usuários. A iniciativa reforça a importância de soluções orientadas à usabilidade para ampliar a adoção de boas práticas na publicação científica e evidencia a contribuição de profissionais de design e tecnologia, como Eugênio Telles, na evolução das infraestruturas de comunicação acadêmica.
Outros projetos apresentados
Fonte: ZENODO - Crossref
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O Programa de Pós-Graduação em Gestão da Informação da Universidade Federal do Paraná (UFPR) realizará, no dia 24 de abril de 2026, a palestra “IA ao longo do ciclo de investigação: potenciação, distorção ou dependência?”. O evento propõe discutir os impactos do uso da inteligência artificial nas diferentes etapas da pesquisa científica, desde a formulação de problemas até a comunicação dos resultados.
A atividade contará com a participação da pesquisadora Dr.ª Anabela Mesquita, do ISCAP – Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto, em Portugal. Com trajetória consolidada nas áreas de gestão do conhecimento, inovação e tecnologias digitais, a especialista trará uma análise crítica sobre como a IA pode potencializar a produção científica, ao mesmo tempo em que levanta preocupações relacionadas à dependência tecnológica e à possível distorção de informações.
A palestra deve abordar temas como o uso responsável de ferramentas baseadas em IA, a necessidade de avaliação rigorosa das fontes utilizadas e os desafios éticos associados à automação de processos de pesquisa. Também será discutido sobre a importância do desenvolvimento de competências informacionais por parte de pesquisadores diante da crescente presença dessas tecnologias no ambiente acadêmico.
O Programa de Pós-Graduação em Gestão da Informação da UFPR, responsável pela organização do evento, tem como objetivo formar profissionais e pesquisadores capacitados para atuar na gestão estratégica da informação e do conhecimento. A iniciativa reforça o compromisso do programa com o debate de temas emergentes e relevantes para a comunidade científica, especialmente no contexto da transformação digital da pesquisa.
Inscrições aqui: IA ao longo do ciclo de investigação: potenciação, distorção ou dependência?
Fonte: PPGGI – UFPR
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